segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Reestréia de Mano: enfim, voltamos a praticar futebol.

"Ninguém merece esperar tanto por um jogo para assistir a esse suplício!!! Assistir ao Coringão é sentir emoção, é tomar susto com o contra-ataque, é fazer um gol no bate rebate e gritar... Com o time atual é simplesmente impossível, é mais emocionante assistir a uma vaca pastando."

A sentença, registrada em comentário a um post deste blog, é de 23 de agosto do ano passado e, ao menos para mim, sintetiza toda a chamada Era Tite no Corinthians - e não apenas o desempenho do time neste último e modorrento semestre de trabalho do Adenor, como parece ter sido a intenção do autor da frase, Júnior.

Claro, tivemos nossos momentos felizes com o técnico anterior: conquistamos títulos, atropelamos rivais, fizemos bons jogos. Não estou, com isso, tentando desmerecer toda essa segunda passagem de Tite no Coringão; mais que injusto, soaria ridículo. 
Só o que estou dizendo é que a concepção de futebol do Adenor é, sempre foi, a de algo quase que completamente desprovido de emoção. Deu resultado por um tempo, mas foi justamente na radicalização dessa filosofia que o homem se perdeu. 

A propósito, aliás, resgato um outro comentário feito neste blog - desta vez, pelo Pedro Prado:

"média de gols sofridos nos últimos Brasileiros: 2011 = 0,94 , 2012 = 1,02 , 2013 = 0,61.
Número importante. O Adenor (em sua cabeça) está fazendo o trabalho dele."

Pois, para Tite, no dia em que o time se mostrasse capaz de passar todos os 90 minutos trocando passes lateralmente na intermediária adversária, seus comandados teriam, enfim, alcançado a perfeição. Risco zero: eis a filosofia de Adenor Leonardo Bacchi.

O furo dessa proposta está em, ao que me consta, ser virtualmente impossível marcar um gol - aquele detalhezinho que costuma decidir as partidas, sabem? - sem, para isso, correr um mínimo de risco que seja. De modo que o problema não está em "atacante acompanhando lateral", mas no fato dele entrar em campo apenas para isso.

Claro, evidente que essa consistência defensiva - cujo histórico recente no Coringão, jamais nos esqueçamos, teve início em 2008, com o próprio Mano Menezes - é sempre bem-vinda. Tenho, como a maioria de nós, enorme orgulho do fato de determos a zaga menos vazada de todos os últimos campeonatos que disputamos. O que pega é que isso jamais, em hipótese alguma, pode se tornar um objetivo em si; uma obsessão capaz, até mesmo, de descaracterizar o esporte que os atletas em campo se propõem a praticar, como vinha acontecendo.

Pois ontem, contra a Lusa e sob o comando técnico de Mano Menezes, o Corinthians finalmente voltou a jogar Futebol: atacamos e fomos atacados; finalizamos contra a meta adversária e vimos Walter ser exigido; sofremos gol, mas - o que realmente importa nesse esporte - anotamos um tento a mais que o adversário. E, naturalmente, voltamos do Canindé com os 3 pontos.

Ontem, foram os laterais que se mostraram incumbidos da tarefa de apoiar os atacantes, e não o contrário. Ok, parece óbvio, mas há anos que não víamos algo assim. 
E, com isso, Romarinho deu mostras de que, quem sabe?, talvez possa finalmente confirmar a expectativa inicial em torno daquele jogador ousado e insinuante que, em 2012, aportou no Parque São Jorge. O promissor Guilherme deu mostras de que, quem sabe?, talvez possa calar aqueles que, nas redes sociais, já começavam a chamá-lo de "enceradeira". Rodriguinho deu mostras de que, quem sabe?, talvez possa mesmo ser a solução para nosso setor criativo (futuro 10 do Timão?). Uendel deu mostras de que, quem sabe num futuro próximo?, talvez possamos nos livrar de uma vez por todas daquela avenida chamada Fábio Santos. E etc, etc, etc.

Claro, foi apenas uma partida... É, ainda, muito cedo para que se estabeleça qualquer tipo de prognóstico. Mas o fato é que, mesmo levando em conta todos os atenuantes que um início de temporada exige, gostei muito do que vi ontem. Muito mesmo. 
Certo que oscilaremos, sobretudo neste primeiro semestre. Mas convenhamos: será sempre preferível oscilar jogando bola do que nos estabilizarmos naquela pasmaceira nauseante em que nos encontrávamos.

Pois seja muito bem-vindo de volta, Mano Menezes!