sábado, 24 de janeiro de 2015

Que venha 2015

Saudações, caros amigos da Jihad. Não posso iniciar essa postagem de outra forma que não com um sincero pedido de desculpas a todos participantes desse espaço pró-Timão (em especial para o Ze Carlos, idealizador do blog, e ao César, jihadista assíduo que jamais desistiu deste espaço) pela ausência.

Sem adentrar muitos em detalhes, justifico-me culpando uma sequência de acontecimentos, que começou com a esquecível eliminação na CB do ano passado (que, acredito, a maioria nao faz questão de destrinchar), foi seguida por um período de absoluta falta de tempo, e culminou em uma vergonhosa fase de inercia e bloqueio de inspiração - que encerro nesse momento.

Mas vamos ao que interessa, o nosso querido Timão - que nesse período de dois ou três meses de baixa atividade jihadista gerou pautas deveras importantes para serem debatidas no nosso blog. Vamos então a elas:

- Troca de técnico – tema de certa forma já abordado aqui na Jihad quando a batata do Mano começava a cheirar queimado, antes mesmo do fatídico jogo no Mineirão (sendo, portanto, relativamente conhecida a opinião da maioria dos colegas sobre o assunto). Mas acho que vale a pena a reflexão sobre os impactos e perspectiva de tal mudança:

Eu fui contra. Achava que o trabalho do Mano, apesar de falhas, era bom, atingindo praticamente o mesmo numero de pontos da campanha campeã de 2011, sob as mãos do Adenor. De fato sempre achei os dois em níveis bastante semelhantes, logo, pela vantagem da continuidade de trabalho, o Mano deveria prosseguir. Mas não continuou, e meu incorrigível lado otimista aposta no clichê do tal período de estudo na Europa do professor, e que ele possa realmente ter aberto sua cabeça em alguns aspectos (o setor ofensivo, principalmente);

- Eleições – neste caso não sei da opinião de vocês, mas suspeito. A minha é de que a oposição tem que ganhar. E não se trata de fazer pouco caso de tudo o que o atual grupo  acertou desde 2008 (e isso o próprio Citadini faz questão de afirmar, o que nos leva a crer que ele não teria problemas em continuar o que esta bom), mas sim a simples constatação de como o Corinthians atual é um didático exemplo da necessidade da alternância de poder. Os vícios e condutas que, claramente, levaram o time mais rico das Américas a quase quebrar estão tão entranhados na forma de agir da atual diretoria que eles nem mesmo disfarçam – vide tentativas recentes de contratações nebulosas em posições que não apresentam carência alguma (como a de goleiro, no qual temos titular e reserva em bons níveis, e a de volante, setor que chega a presentar inchaço no elenco).

- Guerrero – na minha opinião, o único gasto necessário a ser feito nesse ano (no mais, salvo imprevistos, não abriria o bolso com mais ninguém). Claro que tem que negociar de forma firme (a turma do Guerrero não perde em nada para a do Nilmar), mas não podemos cogitar perdê-lo. E afirmo isso de forma tão categórica por três motivos: o primeiro é devido ao rendimento recente do jogador, que todos tem acompanhado; o segundo é por sua visibilidade internacional (ídolo máximo no Peru e único do elenco a merecer notas esporádicas da imprensa latina e europeia); e o terceiro é a sua importância simbólica, já que trata-se de um jogador que logo no inicio de sua passagem teve a sorte de se colocar de forma permanente na historia do Timão. Com isso, a cada gol, a cada conquista, a cada recorde, prolonga e engrandece o capitulo do personagem na narrativa histórica do clube (e afinal, esse é o objetivo de instituições como o Corinthians: não é ganhar dinheiro, não é ganhar títulos, é fazer historia).

- Copinha e categorias de base – à parte a boa campanha e o previsível massacre imposto a freguesia na quinta, tem chamado a atenção o fato de o promissor elenco do Corinthians estar, desde já, todo fatiado entre empresários. Lembro da discussão que tivemos aqui sobre a pertinência ou não de se trazer jogadores através desse tipo de condição (eu mesmo via com bons olhos, dependendo do tipo da aposta), mas acho que, em se tratando de jogadores formados no próprio clube, é unanime a opinião de que tal prática é um absurdo.

Não ha logica que justifique um clube como o Corinthians aceitar jogadores que venham com “donos” já com 12 ou 13 anos. Nem mesmo um boicote geral dos empresários ao clube impediria de surgir, dia apos dia, jovens querendo entrar nas categorias de base do Timão. Com a tradição e a lógica estatística ao seu lado, fica cada dia mais claro que o Corinthians só não é dono de sua própria base por que não quer (e até que nós suspeitamos o porque de eles não quererem...)

Estádio – provavelmente o ponto alto do nosso ano que passou. Nossa casa (moderna, funcional e arquitetonicamente original) foi plenamente aceita pela torcida, que em pouquíssimo tempo contagiou de forma irreversível o espaço com o clima e espirito corinthianos – basta, para comprovar, analisarmos os números do time dentro da Arena.

Mas algo ainda me incomoda. Aquele maldito espaço destinado a torcida adversária, que obriga a instalação daquele cercado ridículo, resultando em uma faixa considerável de lugares vazios. Um pecado do ponto de vista moral (em jogos de alta procura muita gente vai ficar de fora, mesmo com assentos disponíveis), financeiro (menos ingressos vendidos) e estético (inegável que o aspecto visual com a arquibancada toda preenchida é bem mais impactante).

Por mim, eu acabava de vez com essa historia de ingresso pra visitante (ajudando também na questão da violência), e pouco me importaria com esse papinho batido das múmias da ESPN Brasil, de que isso seria “a falência do futebol brasileiro”.

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Escrevi um monte e nem entrei no aspecto técnico do time (força do elenco, pontos fracos, opções de esquema, formações...) Deixo para a contribuição dos amigos da Jihad.